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Desacelerar

Dezembro é um mês de pressa, de correria, parece faltar tempo para realizar todas as atividades programadas. Com a Internet e a TV, as diferenças entre as culturas são cada vez menores e é possível encontrar o Papai Noel criado pela Coca Cola no início do século XX até na China. Apesar do costume de dar presentes no Natal esteja associado aos Reis Magos (data comemorada em 06/01) e das promessas em não contrair novas dívidas, vivemos numa sociedade de consumo e, a cada final de ano, acabamos produzindo uma enorme quantidade de lixo. É bastante provável que a quantidade de resíduos gerados ao longo do mês de dezembro e despejados ao longo do ano seja a maior de todos os meses.

O planeta vem esgotando a sua capacidade de renovação e há várias décadas que os economistas estão cientes de que é preciso desacelerar a economia mundial. Uma medida desta natureza, entretanto, está na contramão do que apregoa o Mercado. Entretanto, esta roda viva de produção-consumo-renovação chegou ao seu limite ou até o ultrapassou. Consumimos cerca de 1,5 vezes o que a Terra produz em um ano. E neste mesmo período, descartamos cerca de 70% do que compramos. Este lixo é deixado cada vez mais longe das grandes cidades. Em São Paulo, há lixões que ficam a 500 km da capital, contaminando regiões que não tem nenhuma relação com aquele consumo.

Da mesma forma que o ritmo de produção é alucinante, o cérebro é forçado a acompanhar um ritmo extremamente veloz de informações. Surgiu a geração “multi-tarefa”, que realiza várias coisas ao mesmo tempo, com pouca capacidade de concentração e foco e, por isso mesmo, superficial na análise de dados e informações. Trata-se de uma geração que está desaprendendo a pensar e refletir. Como tem pressa, não persistem ou insistem, pois buscam resultados imediatos.

O que esta geração não percebe é que com a mesma rapidez que ingressam no mercado de trabalho, acabam igualmente saindo dele mais cedo. Vários, tornam-se empreendedores individuais. Alguns até obtém sucesso graças à criatividade e à percepção dos nichos que podem ocupar. A grande maioria, porém, torna-se satélite ao ingressar no mercado de serviços. Vivem então na outra ponta de um mundo cada vez mais corporativo, ficam de fora, em sua maioria.

Esta equação torna-se ainda mais cruel quando tomamos a expectativa de vida crescente. Assim, o indivíduo ingressa no mercado de trabalho pouco depois do 20, sai dele logo após os 40 anos, mas viverá por mais 40 anos em condições muitas vezes inferiores àquelas em que contava com maior vigor físico.

Só há uma solução: desacelerar.

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