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Simplicidades e complexidades

Que tempos paradoxais…

Por um lado, a busca frenética de informação, de saber como funciona ou como fazer funcionar. Por outro, o conhecimento em geral é tratado com uma superficialidade ímpar. Temas de pesquisa são tratados num nível de detalhamento nunca vistos. Porém, há uma parcela expressiva de pessoas que apenas quer respostas rápidas, sem qualquer profundidade e, muitas vezes, até destituídas de sentido.

Coexistem indivíduos com uma capacidade aguçada para pensar, que sabem fazer as perguntas certas e por isso, vão em busca das respostas que as correspondem. Outras, limitam-se a curtir o verniz de palavras bem escritas ou combinadas, sem refletir em seu significado.

Este processo não é novo, iniciou-se nos anos oitenta, a partir da tendência de simplificar saberes para que se tornassem acessíveis e populares. Os resultados estão sendo colhidos após trinta anos.

Há mais paradoxos: desde que o Homem se tornou o centro do Universo, nunca a aparência foi cultuada e valorizada. A psicologia, a psiquiatria e as neurociências tem praticamente respostas e tratamento para todas as questões. A estética e o consumo, entretanto, são prioritários em relação ao bem estar, do diálogo sadio consigo mesmo. O consumo é muitas vezes uma fuga para traumas que surgiram em algum momento da vida.

O Iluminismo, ao colocar o Homem no centro de se destino, afastou Deus de si, relegando-o a um papel desnecessário na Natureza. Com isso, o indivíduo distanciou-se de si mesmo, por não contar com nenhuma referência exterior. Ao invés de buscar dentro de si, preencheu o vazio com status e bens que permitissem uma aparência de bem estar.

E foi entre as classes sociais menos favorecidas que os movimentos carismáticos tiveram uma grande expansão. Colocados à margem do consumo, buscam em Deus a solução de seus problemas e a resposta para questões que a elite não consegue atender.

A Cabala, uma corrente mística que despontou entre os judeus, por suas complexidades, virou tema para poucos. O mesmo ocorre com a Astrologia e outras Artes antigas. Embora religião, Cabala e Astrologia sejam temas bem distintos, tem em comum a busca de si mesmo através da integração com um todo maior. Mas parece que isso ficou absolutamente fora de moda. É preferível correr atrás do primeiro milhão de reais do que evoluir espiritualmente nesta vida pensando nas vidas vindouras.

Felizmente, as maiores verdades são simples e muitas vezes óbvias. Na Cabala, basta olharmos para o próprio corpo para compreendermos o seu funcionamento; na Astrologia, é só contemplar o movimento dos astros num céu pontilhado de estrelas. A religião, antes de se tratar de um sistema de ética social é antes de tudo, um método simples, valioso e eficaz de olharmos para o nosso próprio futuro a partir de nosso presente. E deixar que o Espírito faça o resto…

É verdadeiramente mais simples. Experimente olhar mais para o céu.

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Onde você está?

Paradoxo: trocam-se mensagens positivas nas redes sociais ao mesmo tempo em que ocorrem todos os tipos de violências nas ruas. Pelo mundo afora, a fome e a miséria continuam existindo como fantasmas bem vivos, agora, também nos quintais da América e Europa.

A crise vivida pela humanidade é muito maior que aquela da escassez dos recursos naturais.

Trata-se de uma verdadeira crise de CONSCIÊNCIA: o ser humano esvaziou-se…

A humanidade perdeu o seu rumo, não sabe para onde vai, qual o seu destino. Filósofos como Sócrates e Platão, gênios como Vinci, Galileu ou Newton não tem mais encarnado neste mundo. Ainda surgem indivíduos como Steve Jobs, que já foi para outros planos. Mas a humanidade entrou em fase de anonimato, na era dos pseudônimos, nicks e avatares, onde o virtual ocupa mais tempo e espaço que o real.

Aí, num mundo de fantasias, cada um vive mais as suas próprias, compartilhadas pela rede, do que tentar torná-las reais neste mundo.

Desafio: descobrir quem você é verdadeiramente.Para isso, você precisa saber qual é o seu destino e como ele se liga com aquele da humanidade, uma vez que não estamos dissociados dela.

O mundo real é aquele do trabalho e das contas a pagar. Ou ainda, das relações e responsabilidades familiares, mas também, do lazer e da brincadeira. No mundo verdadeiro, temos de andar de vidros fechados para evitar assaltos nas ruas e avenidas. Mas é neste mesmo mundo que existem muitas ações positivas de pessoas, grupos e organizações em prol dos menos favorecidos.

Ah! Sonhar é muito bom e importante! Pois são os sonhos que permitem o progresso da civilização.

Mas sem a contrapartida da evolução humana, ela se torna vazia, oca e por isso mesma, efêmera: um mundo do faz de conta…

De certa forma, faltam até líderes e heróis. Porém, o tema é mais denso: falta conexão com o seu verdadeiro eu.

 

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