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A dramática anulação de um povo e uma nação

Meu avô dizia que para compreender os conflitos entre os países, não bastava apenas olhar para as motivações econômicas, mas também para a sua História. Esta se repete, como uma espécie de “carma da terra”.

A região que hoje conhecemos como Ucrânia foi o berço de uma das mais sofisticadas civilizações do Neolítico através da cultura Tripiliana, que se estabeleceu nas margens dos rios em cerca de 6000 aec. Foi posteriormente absorvida por outros povos e culturas, particularmente os Cimérios, os Citas e os Sarmácios, por volta do século VIII aec. Por volta do século VII aec foi colonizada pelos gregos. O idioma Indo-Europeu teve como berço esta região.

A Ucrânia era então uma região onde várias tribos combatiam entre si. Algumas viviam de tecelagem, outras da agricultura e outras ainda, de pastoreio, quando os povos góticos, invadiram e conquistaram a região por volta do século II aec.
É quando surgem os eslavos Sua origem exata é desconhecida, mas são mencionados pelos romanos no século I ec. Seus assentamentos são identificados a partir do século IV ec, embora seja possível que tenham existido anteriormente. Eram o povo predominante da Ucrânia na época. No século VI, deslocaram-se para o sudoeste da Germânia. Em períodos diferentes, combateram os góticos, os hunos e os ávaros.

Kiev foi fundada no século V ec. Os cazares se estabeleceram nas estepes da Ucrânia no século VII ec, época que os gregos se retiraram da região. Os cazares formaram uma espécie de escudo protetor contra as invasões. Ainda assim, como povo, foram substituídos pelos magiares e enfim, pelos poloneses, como tribo dominante.

Percebe-se que esta era uma região de passagem das várias tribos nômades invasoras que, ocasionalmente, fixavam-se nas estepes, apropriadas tanto para a agricultura como para o pastoreio, graças à rica terra preta existente. Este solo foi o responsável por tornar a Ucrânia uma das maiores nações produtoras de grãos do mundo.

Durante os séculos X e XI ec, o território da Ucrânia tornou-se o centro de um Estado poderoso e importante na Europa, a Rus Kievana, o que estabeleceu a base das identidades nacionais ucraniana e das demais nações eslavas orientais nos séculos subsequentes.

Durante a Idade Média, alternam-se os períodos em que a Ucrânia manteve uma certa unidade ou então, é governada por outros reinos. Entre 1360 e 1590, foi governada pela Lituânia e pela Polônia.

Até surgirem os cossacos. Ficaram famosos por sua bravura e coragem na defesa das terras que ocupavam. Contudo, não se limitaram à região da Ucrânia, embora sua maior expressão tenha se dado por lá. São identificados como força militar autônoma em outros momentos da História, como nas duas Grandes Guerras. Dominaram a Ucrânia até 1711.

A grande rebelião cossaca de 1648 contra a comunidade e contra o rei polonês João II Casimiro levaram à partilha da Ucrânia entre a Polônia e a Rússia, após o tratado de Pereyaslav e a guerra entre Rússia e Polônia. Com as partilhas da Polônia no final do século XVIII entre a Prússia, a Áustria e a Rússia, o território correspondente à atual Ucrânia foi dividido entre o Império Austríaco e o Império Russo, aquele anexando à Ucrânia Ocidental (com o nome de província da Galícia), este incorporando o restante do território ucraniano.

Chegamos então à Era Soviética. O colapso do Império Russo e do Império Austro-húngaro após a I Guerra Mundial, bem como a Revolução Russa de 1917, permitiram o ressurgimento do movimento nacional ucraniano em prol da autodeterminação. Entre 1917 e 1920, diversos estados ucranianos se declararam independentes: o Rada Central, o Hetmanato, o Diretório, a República Popular Ucraniana e a República Popular Ucraniana Ocidental. Contudo, a derrota daquela última na Guerra Polaco-Ucraniana e o fracasso polonês na Ofensiva de Kiev (1920) da Guerra Polaco-Soviética fizeram com que a Paz de Riga, celebrada entre a Polônia e os bolcheviques em março de 1921, voltasse a dividir a Ucrânia. A porção ocidental foi incorporada à nova Segunda República Polonesa e a parte maior, no centro e no leste, transformou-se na República Socialista Soviética Ucraniana em março de 1919, posteriormente unida à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, quando esta foi criada, em dezembro de 1922.

O ideal nacional ucraniano sobreviveu durante os primeiros anos sob os soviéticos. A cultura e a língua ucranianas conheceram um florescimento quando da adoção da política soviética de nacionalidades. Seus ganhos foram postos a perder com as mudanças políticas dos anos 1930.

A industrialização soviética teve início da Ucrânia a partir do final dos anos 1920, o que levou a produção industrial do país a quadruplicar nos anos 1930. O processo impôs um custo elevado ao campesinato, demograficamente a espinha dorsal da nação ucraniana. Para atender a necessidade de maiores suprimentos de alimentos e para financiar a industrialização, Stalin estabeleceu um programa de coletivização da agricultura pelo qual o Estado combinava as terras e rebanhos dos camponeses em fazendas coletivas. O processo era garantido pela atuação dos militares e da polícia secreta: os que resistiam eram presos e deportados. Os camponeses viam-se obrigados a lidar com os efeitos devastadores da coletivização sobre a produtividade agrícola e as exigências de quotas de produção ampliadas. Tendo em vista que os integrantes das fazendas coletivas não estavam autorizados a receber grãos até completaram as suas impossíveis quotas de produção, a fome tornou-se generalizada. Este processo histórico, conhecido como Holodomor (ou Genocídio Ucraniano), levou cerca de 10 milhões de pessoas a morrerem de fome.

Na mesma época, os soviéticos acusaram a elite política e cultural ucraniana de “desvios nacionalistas”, quando as políticas de nacionalidades foram revertidas no início dos anos 1930. Duas ondas de expurgos (1929-1934 e 1936-1938) resultaram na eliminação de 4/5 da elite cultural da Ucrânia.

O colapso da União Soviética em 1991 permitiu a convocação de um referendo que resultou na proclamação da independência da Ucrânia. Após isso, o país experimentou uma profunda desaceleração econômica. Durante a recessão, a Ucrânia perdeu 60% do seu PIB entre 1991 e 1999, além de ter sofrido com taxas de inflação de cinco dígitos. Insatisfeitos com as condições econômicas, bem como as taxas de crime e corrupção, os ucranianos protestaram e organizaram greves. A economia ucraniana estabilizou-se no final dos anos 90.

Em 2004, Viktor Yanukovych, então primeiro-ministro, foi declarado vencedor das eleições presidenciais, que tinham sido largamente manipuladas, como o Supremo Tribunal da Ucrânia constatou mais tarde. Os resultados causaram um clamor público em apoio ao candidato da oposição, Viktor Yushchenko, que desafiou o resultado oficial do pleito. Isto resultou na pacífica Revolução Laranja, que trouxe Viktor Yushchenko e Yulia Tymoshenko ao poder, enquanto lançou Viktor Yanukovych à oposição.

Disputas com a Rússia sobre dívidas de gás natural interromperam brevemente todos os fornecimentos de gás à Ucrânia em 2006 e novamente em 2009, levando à escassez do produto em vários outros países europeus. Viktor Yanukovych foi novamente eleito presidente em 2010, com 48% dos votos.

O protestos do Euromaidan começaram em novembro de 2013, quando os cidadãos ucranianos exigiram uma maior integração do país com a União Europeia (UE). As manifestações foram provocadas pela recusa do governo ucraniano em assinar um acordo de associação com a UE, que Yanukovych descreveu como sendo desvantajoso para a Ucrânia. Com o tempo, o movimento Euromaidan promoveu uma onda de grandes manifestações e agitação civil por todo o país, o contexto que evoluiu para incluir clamores pela renúncia do presidente Yanukovich e de seu governo.

A violência intensificou-se depois de 16 de janeiro de 2014, quando o governo aceitou as leis conhecidas como leis antiprotestos. Os manifestantes antigoverno então ocuparam edifícios do centro de Kiev, incluindo o prédio do Ministério da Justiça, e tumultos deixaram 98 mortos e milhares de feridos entre os dias 18 e 20 fevereiro. Em 22 de fevereiro de 2014, o Parlamento da Ucrânia destituiu Yanukovych por considerar o presidente incapaz de cumprir seus deveres e definiu uma eleição para 25 de maio para selecionar o seu substituto.

Porém, a importância da Ucrânia hoje em dia, em termos mundiais, se encontram em seus dutos de gás, responsáveis por abastecer a Europa Oriental e em especial, a Alemanha. Uma grave disputa comercial ocorre entre a Rússia e a Ucrânia em 2009, cujas consequências podem ainda ser identificadas nos recentes acontecimentos.

Sobre a Disputa Comercial de 2009.

Sobre os seus desdobramentos sobre a economia da Europa.

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Analogias da Crise

A crise econômica já se alastra há um bom tempo. Os noticiários estão recheados informações que evitam ser alarmantes. Porém, os reflexos de qualquer crise econômica são muito maiores do que a queda dos bancos e a perda de liquidez do comércio.
Desde que o início do século passado, o dinheiro é uma medida de energia individual. Quanto mais dinheiro um indivíduo possui, maior a sua capacidade de compra e, em tese, de alcançar a plenitude da felicidade. Tem acesso a bens e serviços de qualidade e permite-se usufruir de melhor qualidade de vida, para si e para os seus. Ou seja, tem mais energia, como acontece nos games (tem mais “vida”).

Paralelamente, há uma crise de geração de energia no planeta. Os combustíveis fósseis estão com os dias contados. É apenas uma questão de tempo para que outras formas de obter energia estejam naturalmente disponíveis. O conceito de energia renovável e suas implicações merece considerações detalhadas.

No meio empresarial, as empresas se fundem umas às outras para obter maior alcance e poder econômico. Os indivíduos se fortalecem na medida em que se unem em grupos e equipes, cooperando uns com os outros para maximizar o sucesso e, principalmente, para alcançar melhores resultados financeiros. O objetivo último é o benefício do lucro.
Em suma, o dinheiro (e sua analogia com energia) é o fim último.

Porém, o modelo monetarista atual está doente, é um paciente terminal e a estrutura financeira e consequentemente, todas as demais estruturas nela baseadas, como é o caso das estruturas sociais, em alerta vermelho há anos. Em breve, ruirão juntas como um jogo de dominó, em cadeia.

É desnecessário dizer que é preciso desconstruir este modelo. O dinheiro é apenas um artifício e, nesses tempos de o crédito virtual é um truque que corre o risco de se tornar apenas uma ilusão.

E onde se encontra a verdade? Qual é o mundo real? Os manifestantes diante do centro financeiro em NY são reais: estão desempregados e são vítimas da crise. Eles são os exemplos visíveis da falta de energia que assola o planeta. Porém, não podemos esquecer daqueles que já estão sem “energia” há muito tempo, que se encontram abaixo da linha de pobreza ao redor do mundo, inclusive no Brasil.

Protestos de Wall Street viram fenômeno global

O paradigma a ser quebrado parte de dentro e não de fora. Não dá para esperar por soluções vindas do exterior quando as respostas se encontram no íntimo de cada ser humano e, na sequencia, das comunidades e sociedades. Da mesma forma que a sociedade precisa se reorganizar, cada ser humano precisa, primeiramente, fazê-lo também. E da mesma forma que é preciso pensar em energias renováveis para a sobrevivência do planeta, deve-se fazer o mesmo para com o ser humano. Buscar o herói é lidar com a fonte da energia pessoal. É muito mais do que ir ao encontro de sua vocação. É ir ao encontro da comunhão com o “Deus em nós”.

Qual é o seu mito? Qual arquétipo está ligado a você? Joseph Campbell escreveu a respeito dos mitos e dos heróis, bem como, sua relação com o indivíduo. No entanto, a fase é outra, uma vez que não basta revelar o “deus” ou herói interior. É preciso que os deuses interiores se unam, do mesma maneira que as empresas, em grandes conglomerados (comunidades, sociedades), como fazem as abelhas e as formigas.

O indíviduo, diferente dos insetos, possui consciência e, principalmente, consciência de que tem consciência. Esta é a parcela humana que precisa ser desperta.

Antes que seja tarde: para o indivíduo e para o planeta.

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