Category Archives: economia

Insatisfação com o resultado das urnas

O Senador Cristóvão Buarque postou em seu Tweeter sobre as manifestações, ele mesmo, favorável:

cbuarquePara saber mais, entre em sua linha do tempo. Não deixa de ter razão.

A insatisfação com o atual governo é notória. Quando José Serra disputou com ela, mostrou como era uma péssima gerente e o que ela havia de fato realizado quando exercendo funções junto ao governo do RS. Portanto, esta péssima gestão da Sra. Dona Presidenta já era de se esperar.

O ano de 2014 e, em particular próximo às eleições, novos graves escândalos de corrupção surgiram e os seus desdobramentos, ao contrário do que se poderia esperar, não diminuíram após as eleições. Ocorre o inverso, o poço de lama parece ser ainda mais profundo.

Os desmandos são claros: logo após a confirmação de sua reeleição, a Sra. Dona Presidenta aumentou os juros para tentar conter a alta do dólar, o que não conseguiu; aumentou o preço dos combustíveis e anunciou que pretende mexer ainda na Lei de Responsabilidade Fiscal e nas idades para a aposentadoria… E ainda, colocou os últimos mensaleiros fora da cadeia.

Partindo do princípio que o meu, o seu, o nosso voto servem para dizer “eu o estou contratando para tal função”, a dita cuja funcionária não está realizando o que prometera se fosse “contratada”. Com isso, fica fácil entender as razões do descontentamento e insatisfação de uma parcela significativa da população que não votou nela, seja votando noutro candidato, em branco ou nulo.

O que o Senador Cristóvão Buarque nos lembra, entretanto, é que numa democracia existem meios legais para manter ou não um Chefe de Estado em suas funções.

As delações premiadas já tiveram dois méritos: conhecer razoavelmente bem os procedimentos empregados e as pessoas envolvidas, mas também, repatriar uma boa quantia do que foi obtido a título de 3% de bonificação. São muitos milhões de reais. Pelo que se acompanha na imprensa, as investigações estão indo bem. Mas serão punidos? Os mensaleiros estão todos soltos…

Portanto, é bom acompanhar os próximos acontecimentos. As manifestações, por si só, não tem o poder de derrubar ninguém, principalmente por que isso seria golpe. Os militares com os quais travo contato, estão indignados: são cidadãos como você e eu; mas não há pretensões de assumir o governo. Ao contrário: fazem questão de que a Constituição seja cumprida.

Qualquer que fosse o candidato vencedor, como presidente, terá de assumir uma dura tarefa de recolocar a economia nos trilhos outra vez. Há descontentes e insatisfeitos; embora o maior problema seja a falta de credibilidade do atual governo. Os primeiros três meses de 2015 serão muito difíceis…

Que Deus nos ajude.

Anúncios

Por onde vai a cidadania?

Hoje pela tarde eu me deparei com uma declaração inusitada, ao menos para este início de século XXI, no Brasil, onde a espiritualidade do cidadão é muitas vezes ambígua. Um dos candidatos à prefeitura de São Paulo declarou que seria bom ter uma Igreja em cada quarteirão da cidade (http://tinyurl.com/brv7erk). Sabe-se que ele é evangélico e membro da IURD. A campanha de Russomano está baseada na recuperação da cidadania. Conseguiria atingir seu objetivo através desta ação?

Duas outras notícias me chamaram a atenção ao longo dia. A FGV divulgou que a elevação da escolaridade reduz o trabalho informal (http://tinyurl.com/8omdxbr). A meu ver, escolaridade e trabalho são as melhores maneiras de recuperar a cidadania e a dignidade de seja lá quem for, uma vez que torna o indivíduo e sua família participantes e integrantes da sociedade na qual vivem.

Não se trata de criticar o papel das Igrejas, uma vez que muitas delas investem forte na educação, desde a pré-escola até a universidade. Entretanto, como o candidato colocou, parece que ficar orando é o suficiente para tirar as pessoas da marginalidade social e integrá-la no mercado de trabalho.

Na Alemanha, seu ministro da economia defendeu hoje de que os alemães deveriam se aposentar aos 80 anos (http://tinyurl.com/987and3). Não dá para comparar a qualidade de vida que a maior parte dos idosos tem por lá com aquela que é permitida aos idosos brasileiros.

Acredito que uma pessoa que se escolarizou terá melhores condições de vida à medida que sua idade avançar do que uma que deixou a sua vida nas mãos de uma Igreja.

Desacelerar

Dezembro é um mês de pressa, de correria, parece faltar tempo para realizar todas as atividades programadas. Com a Internet e a TV, as diferenças entre as culturas são cada vez menores e é possível encontrar o Papai Noel criado pela Coca Cola no início do século XX até na China. Apesar do costume de dar presentes no Natal esteja associado aos Reis Magos (data comemorada em 06/01) e das promessas em não contrair novas dívidas, vivemos numa sociedade de consumo e, a cada final de ano, acabamos produzindo uma enorme quantidade de lixo. É bastante provável que a quantidade de resíduos gerados ao longo do mês de dezembro e despejados ao longo do ano seja a maior de todos os meses.

O planeta vem esgotando a sua capacidade de renovação e há várias décadas que os economistas estão cientes de que é preciso desacelerar a economia mundial. Uma medida desta natureza, entretanto, está na contramão do que apregoa o Mercado. Entretanto, esta roda viva de produção-consumo-renovação chegou ao seu limite ou até o ultrapassou. Consumimos cerca de 1,5 vezes o que a Terra produz em um ano. E neste mesmo período, descartamos cerca de 70% do que compramos. Este lixo é deixado cada vez mais longe das grandes cidades. Em São Paulo, há lixões que ficam a 500 km da capital, contaminando regiões que não tem nenhuma relação com aquele consumo.

Da mesma forma que o ritmo de produção é alucinante, o cérebro é forçado a acompanhar um ritmo extremamente veloz de informações. Surgiu a geração “multi-tarefa”, que realiza várias coisas ao mesmo tempo, com pouca capacidade de concentração e foco e, por isso mesmo, superficial na análise de dados e informações. Trata-se de uma geração que está desaprendendo a pensar e refletir. Como tem pressa, não persistem ou insistem, pois buscam resultados imediatos.

O que esta geração não percebe é que com a mesma rapidez que ingressam no mercado de trabalho, acabam igualmente saindo dele mais cedo. Vários, tornam-se empreendedores individuais. Alguns até obtém sucesso graças à criatividade e à percepção dos nichos que podem ocupar. A grande maioria, porém, torna-se satélite ao ingressar no mercado de serviços. Vivem então na outra ponta de um mundo cada vez mais corporativo, ficam de fora, em sua maioria.

Esta equação torna-se ainda mais cruel quando tomamos a expectativa de vida crescente. Assim, o indivíduo ingressa no mercado de trabalho pouco depois do 20, sai dele logo após os 40 anos, mas viverá por mais 40 anos em condições muitas vezes inferiores àquelas em que contava com maior vigor físico.

Só há uma solução: desacelerar.

Analogias da Crise

A crise econômica já se alastra há um bom tempo. Os noticiários estão recheados informações que evitam ser alarmantes. Porém, os reflexos de qualquer crise econômica são muito maiores do que a queda dos bancos e a perda de liquidez do comércio.
Desde que o início do século passado, o dinheiro é uma medida de energia individual. Quanto mais dinheiro um indivíduo possui, maior a sua capacidade de compra e, em tese, de alcançar a plenitude da felicidade. Tem acesso a bens e serviços de qualidade e permite-se usufruir de melhor qualidade de vida, para si e para os seus. Ou seja, tem mais energia, como acontece nos games (tem mais “vida”).

Paralelamente, há uma crise de geração de energia no planeta. Os combustíveis fósseis estão com os dias contados. É apenas uma questão de tempo para que outras formas de obter energia estejam naturalmente disponíveis. O conceito de energia renovável e suas implicações merece considerações detalhadas.

No meio empresarial, as empresas se fundem umas às outras para obter maior alcance e poder econômico. Os indivíduos se fortalecem na medida em que se unem em grupos e equipes, cooperando uns com os outros para maximizar o sucesso e, principalmente, para alcançar melhores resultados financeiros. O objetivo último é o benefício do lucro.
Em suma, o dinheiro (e sua analogia com energia) é o fim último.

Porém, o modelo monetarista atual está doente, é um paciente terminal e a estrutura financeira e consequentemente, todas as demais estruturas nela baseadas, como é o caso das estruturas sociais, em alerta vermelho há anos. Em breve, ruirão juntas como um jogo de dominó, em cadeia.

É desnecessário dizer que é preciso desconstruir este modelo. O dinheiro é apenas um artifício e, nesses tempos de o crédito virtual é um truque que corre o risco de se tornar apenas uma ilusão.

E onde se encontra a verdade? Qual é o mundo real? Os manifestantes diante do centro financeiro em NY são reais: estão desempregados e são vítimas da crise. Eles são os exemplos visíveis da falta de energia que assola o planeta. Porém, não podemos esquecer daqueles que já estão sem “energia” há muito tempo, que se encontram abaixo da linha de pobreza ao redor do mundo, inclusive no Brasil.

Protestos de Wall Street viram fenômeno global

O paradigma a ser quebrado parte de dentro e não de fora. Não dá para esperar por soluções vindas do exterior quando as respostas se encontram no íntimo de cada ser humano e, na sequencia, das comunidades e sociedades. Da mesma forma que a sociedade precisa se reorganizar, cada ser humano precisa, primeiramente, fazê-lo também. E da mesma forma que é preciso pensar em energias renováveis para a sobrevivência do planeta, deve-se fazer o mesmo para com o ser humano. Buscar o herói é lidar com a fonte da energia pessoal. É muito mais do que ir ao encontro de sua vocação. É ir ao encontro da comunhão com o “Deus em nós”.

Qual é o seu mito? Qual arquétipo está ligado a você? Joseph Campbell escreveu a respeito dos mitos e dos heróis, bem como, sua relação com o indivíduo. No entanto, a fase é outra, uma vez que não basta revelar o “deus” ou herói interior. É preciso que os deuses interiores se unam, do mesma maneira que as empresas, em grandes conglomerados (comunidades, sociedades), como fazem as abelhas e as formigas.

O indíviduo, diferente dos insetos, possui consciência e, principalmente, consciência de que tem consciência. Esta é a parcela humana que precisa ser desperta.

Antes que seja tarde: para o indivíduo e para o planeta.

Em busca do herói

Vivemos uma época de paradoxos.
Por um lado, a genialidade de alguns permite avanços tecnológicos notáveis, em todos os campos da ciência. Vive-se um limiar em que, muito brevemente, estaremos deixando para trás a utilização de combustíveis fósseis, substituídos por energias renováveis ou não poluentes.
Ao mesmo tempo, vivemos uma forte crise cambial, com efeitos devastadores nas economias de diversos países e pondo em risco alianças estratégicas. No outro lado do planeta, a China emerge como uma nova potência, embora com várias ressalvas de natureza social.
E na contramão desta parcela da humanidade, daquela que consome, encontramos populações inteiras sem acesso a benefícios básicos de alimentação e saúde, vivendo abaixo da linha de pobreza e dependendo de políticas sociais implantadas justamente pelos países que, atualmente, se encontram sem liquidez.

Sob a perspectiva individual, não há motivos para se alegrar. Na mesma medida em que despontam jovens de grande potencial e genialidade, em sua maioria, os jovens refletem a superficialidade e a trivialidade de motivações, interesses e conteúdo. Um pensamento se resume a 140 caracteres. Uma boa discussão não ultrapassa mil. Cada vez mais individualista, o ser humano depende paradoxalmente das redes sociais para se colocar no mercado ou para divulgar os seus produtos e serviços. Um avatar é, na verdade, uma segunda personalidade ou ainda, uma vida paralela, virtual e irreal que, por ser uma interface social, provoca igualmente relações não baseadas no concreto ou nos sentidos.

Acredito que a economia acabará encontrando um ponto de ajuste a médio e longo prazo, com políticas sustentáveis, por necessidade de sobrevivência, seja do planeta como da própria economia. Mas não tenho como afirmar o mesmo a respeito das diferenças sociais e muito menos, da falta de profundidade dos jovens. Temo pelo futuro de nossos filhos e netos. E principalmente, dos filhos e netos daqueles que não tem o que comer, não se encontram assistidos por políticas básicas de saúde e não tem acesso à educação.

Faltam heróis. Falta o herói interior. E talvez até o interesse em encontrar esse herói mítico dentro de si mesmo antes de ansiosamente buscá-lo no outro. O iluminismo e a revolução industrial colocaram o indivíduo acima do Universo e o sagrado, marginalizado.

Sob a ótica dos ciclos, sempre existem vários ocorrendo ao mesmo tempo. A recente conjunção entre Júpiter e Urano ocorreu com a oposição entre Júpiter e Saturno, envolvendo a polaridade Áries-Libra. O individual se confrontando com a cooperação e o coletivo, com predomínio do primeiro. Esta mesma combinação, entretanto, também possibilita uma reflexão sobre a relação de cada um com o outro, com o objetivo de transcender as fronteiras sociais ditadas pelas funções econômicas (as tais das classes A, B, C, etc…).
O herói interior é resultado do esforço no desenvolvimento e emprego de seus recursos e talentos. Muitas vezes, leva-se cerca de 30 anos para encontrar as referências que permitem o uso adequado das habilidades adquiridas por meio do aprendizado e da prática. Esforço exige concentração e dedicação, a visão de que tudo tem um tempo para amadurecer. Porém, o individualismo busca apenas resultados imediatos e, por isso mesmo, superficiais.
Enquanto a economia se defende com medidas protecionistas, o individuo se defende reforçando o seu castelo, competindo com todos, sem formar alianças, parcerias ou equipes de trabalho.
As grandes empresas, por outro lado, movidas por interesses econômicos, adquirem-se umas às outras formando grandes conglomerados. Aquele que estiver numa dessas empresas, estará no mercado de trabalho e poderá adquirir o que desejar, embora corra o risco de igualmente ser individualmente massacrado pelas pressões de metas ou resultados.
Qual a saída? A descoberta do herói pessoal para que cada um viva a sua estória de acordo com o seu mito, aquele impresso em sua carta astrológica e que resulta de suas próprias escolhas antes de encarnar neste mundo. Talvez tenha de se reprogramar em razão de novas prioridades e interesses, que o tornem auto-expressivo.
Ao estar alinhado consigo mesmo, seu maior prêmio é a felicidade. A felicidade de desenvolver-se plenamente a partir de seus próprios objetivos, de suas verdadeiras motivações e não aquelas impostas por uma sociedade economicamente orientada.
Para estar alinhado consigo mesmo, o indivíduo precisa conhecer-se a si mesmo, bem como os instrumentos que tem disponíveis para alcançar os seus propósitos. A onipresença divina se manifesta a partir da consciência interior. E esta é o melhor caminho para um mundo melhor.

%d bloggers like this: