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Analogias da Crise

A crise econômica já se alastra há um bom tempo. Os noticiários estão recheados informações que evitam ser alarmantes. Porém, os reflexos de qualquer crise econômica são muito maiores do que a queda dos bancos e a perda de liquidez do comércio.
Desde que o início do século passado, o dinheiro é uma medida de energia individual. Quanto mais dinheiro um indivíduo possui, maior a sua capacidade de compra e, em tese, de alcançar a plenitude da felicidade. Tem acesso a bens e serviços de qualidade e permite-se usufruir de melhor qualidade de vida, para si e para os seus. Ou seja, tem mais energia, como acontece nos games (tem mais “vida”).

Paralelamente, há uma crise de geração de energia no planeta. Os combustíveis fósseis estão com os dias contados. É apenas uma questão de tempo para que outras formas de obter energia estejam naturalmente disponíveis. O conceito de energia renovável e suas implicações merece considerações detalhadas.

No meio empresarial, as empresas se fundem umas às outras para obter maior alcance e poder econômico. Os indivíduos se fortalecem na medida em que se unem em grupos e equipes, cooperando uns com os outros para maximizar o sucesso e, principalmente, para alcançar melhores resultados financeiros. O objetivo último é o benefício do lucro.
Em suma, o dinheiro (e sua analogia com energia) é o fim último.

Porém, o modelo monetarista atual está doente, é um paciente terminal e a estrutura financeira e consequentemente, todas as demais estruturas nela baseadas, como é o caso das estruturas sociais, em alerta vermelho há anos. Em breve, ruirão juntas como um jogo de dominó, em cadeia.

É desnecessário dizer que é preciso desconstruir este modelo. O dinheiro é apenas um artifício e, nesses tempos de o crédito virtual é um truque que corre o risco de se tornar apenas uma ilusão.

E onde se encontra a verdade? Qual é o mundo real? Os manifestantes diante do centro financeiro em NY são reais: estão desempregados e são vítimas da crise. Eles são os exemplos visíveis da falta de energia que assola o planeta. Porém, não podemos esquecer daqueles que já estão sem “energia” há muito tempo, que se encontram abaixo da linha de pobreza ao redor do mundo, inclusive no Brasil.

Protestos de Wall Street viram fenômeno global

O paradigma a ser quebrado parte de dentro e não de fora. Não dá para esperar por soluções vindas do exterior quando as respostas se encontram no íntimo de cada ser humano e, na sequencia, das comunidades e sociedades. Da mesma forma que a sociedade precisa se reorganizar, cada ser humano precisa, primeiramente, fazê-lo também. E da mesma forma que é preciso pensar em energias renováveis para a sobrevivência do planeta, deve-se fazer o mesmo para com o ser humano. Buscar o herói é lidar com a fonte da energia pessoal. É muito mais do que ir ao encontro de sua vocação. É ir ao encontro da comunhão com o “Deus em nós”.

Qual é o seu mito? Qual arquétipo está ligado a você? Joseph Campbell escreveu a respeito dos mitos e dos heróis, bem como, sua relação com o indivíduo. No entanto, a fase é outra, uma vez que não basta revelar o “deus” ou herói interior. É preciso que os deuses interiores se unam, do mesma maneira que as empresas, em grandes conglomerados (comunidades, sociedades), como fazem as abelhas e as formigas.

O indíviduo, diferente dos insetos, possui consciência e, principalmente, consciência de que tem consciência. Esta é a parcela humana que precisa ser desperta.

Antes que seja tarde: para o indivíduo e para o planeta.

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