Insatisfação com o resultado das urnas

O Senador Cristóvão Buarque postou em seu Tweeter sobre as manifestações, ele mesmo, favorável:

cbuarquePara saber mais, entre em sua linha do tempo. Não deixa de ter razão.

A insatisfação com o atual governo é notória. Quando José Serra disputou com ela, mostrou como era uma péssima gerente e o que ela havia de fato realizado quando exercendo funções junto ao governo do RS. Portanto, esta péssima gestão da Sra. Dona Presidenta já era de se esperar.

O ano de 2014 e, em particular próximo às eleições, novos graves escândalos de corrupção surgiram e os seus desdobramentos, ao contrário do que se poderia esperar, não diminuíram após as eleições. Ocorre o inverso, o poço de lama parece ser ainda mais profundo.

Os desmandos são claros: logo após a confirmação de sua reeleição, a Sra. Dona Presidenta aumentou os juros para tentar conter a alta do dólar, o que não conseguiu; aumentou o preço dos combustíveis e anunciou que pretende mexer ainda na Lei de Responsabilidade Fiscal e nas idades para a aposentadoria… E ainda, colocou os últimos mensaleiros fora da cadeia.

Partindo do princípio que o meu, o seu, o nosso voto servem para dizer “eu o estou contratando para tal função”, a dita cuja funcionária não está realizando o que prometera se fosse “contratada”. Com isso, fica fácil entender as razões do descontentamento e insatisfação de uma parcela significativa da população que não votou nela, seja votando noutro candidato, em branco ou nulo.

O que o Senador Cristóvão Buarque nos lembra, entretanto, é que numa democracia existem meios legais para manter ou não um Chefe de Estado em suas funções.

As delações premiadas já tiveram dois méritos: conhecer razoavelmente bem os procedimentos empregados e as pessoas envolvidas, mas também, repatriar uma boa quantia do que foi obtido a título de 3% de bonificação. São muitos milhões de reais. Pelo que se acompanha na imprensa, as investigações estão indo bem. Mas serão punidos? Os mensaleiros estão todos soltos…

Portanto, é bom acompanhar os próximos acontecimentos. As manifestações, por si só, não tem o poder de derrubar ninguém, principalmente por que isso seria golpe. Os militares com os quais travo contato, estão indignados: são cidadãos como você e eu; mas não há pretensões de assumir o governo. Ao contrário: fazem questão de que a Constituição seja cumprida.

Qualquer que fosse o candidato vencedor, como presidente, terá de assumir uma dura tarefa de recolocar a economia nos trilhos outra vez. Há descontentes e insatisfeitos; embora o maior problema seja a falta de credibilidade do atual governo. Os primeiros três meses de 2015 serão muito difíceis…

Que Deus nos ajude.

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A dramática anulação de um povo e uma nação

Meu avô dizia que para compreender os conflitos entre os países, não bastava apenas olhar para as motivações econômicas, mas também para a sua História. Esta se repete, como uma espécie de “carma da terra”.

A região que hoje conhecemos como Ucrânia foi o berço de uma das mais sofisticadas civilizações do Neolítico através da cultura Tripiliana, que se estabeleceu nas margens dos rios em cerca de 6000 aec. Foi posteriormente absorvida por outros povos e culturas, particularmente os Cimérios, os Citas e os Sarmácios, por volta do século VIII aec. Por volta do século VII aec foi colonizada pelos gregos. O idioma Indo-Europeu teve como berço esta região.

A Ucrânia era então uma região onde várias tribos combatiam entre si. Algumas viviam de tecelagem, outras da agricultura e outras ainda, de pastoreio, quando os povos góticos, invadiram e conquistaram a região por volta do século II aec.
É quando surgem os eslavos Sua origem exata é desconhecida, mas são mencionados pelos romanos no século I ec. Seus assentamentos são identificados a partir do século IV ec, embora seja possível que tenham existido anteriormente. Eram o povo predominante da Ucrânia na época. No século VI, deslocaram-se para o sudoeste da Germânia. Em períodos diferentes, combateram os góticos, os hunos e os ávaros.

Kiev foi fundada no século V ec. Os cazares se estabeleceram nas estepes da Ucrânia no século VII ec, época que os gregos se retiraram da região. Os cazares formaram uma espécie de escudo protetor contra as invasões. Ainda assim, como povo, foram substituídos pelos magiares e enfim, pelos poloneses, como tribo dominante.

Percebe-se que esta era uma região de passagem das várias tribos nômades invasoras que, ocasionalmente, fixavam-se nas estepes, apropriadas tanto para a agricultura como para o pastoreio, graças à rica terra preta existente. Este solo foi o responsável por tornar a Ucrânia uma das maiores nações produtoras de grãos do mundo.

Durante os séculos X e XI ec, o território da Ucrânia tornou-se o centro de um Estado poderoso e importante na Europa, a Rus Kievana, o que estabeleceu a base das identidades nacionais ucraniana e das demais nações eslavas orientais nos séculos subsequentes.

Durante a Idade Média, alternam-se os períodos em que a Ucrânia manteve uma certa unidade ou então, é governada por outros reinos. Entre 1360 e 1590, foi governada pela Lituânia e pela Polônia.

Até surgirem os cossacos. Ficaram famosos por sua bravura e coragem na defesa das terras que ocupavam. Contudo, não se limitaram à região da Ucrânia, embora sua maior expressão tenha se dado por lá. São identificados como força militar autônoma em outros momentos da História, como nas duas Grandes Guerras. Dominaram a Ucrânia até 1711.

A grande rebelião cossaca de 1648 contra a comunidade e contra o rei polonês João II Casimiro levaram à partilha da Ucrânia entre a Polônia e a Rússia, após o tratado de Pereyaslav e a guerra entre Rússia e Polônia. Com as partilhas da Polônia no final do século XVIII entre a Prússia, a Áustria e a Rússia, o território correspondente à atual Ucrânia foi dividido entre o Império Austríaco e o Império Russo, aquele anexando à Ucrânia Ocidental (com o nome de província da Galícia), este incorporando o restante do território ucraniano.

Chegamos então à Era Soviética. O colapso do Império Russo e do Império Austro-húngaro após a I Guerra Mundial, bem como a Revolução Russa de 1917, permitiram o ressurgimento do movimento nacional ucraniano em prol da autodeterminação. Entre 1917 e 1920, diversos estados ucranianos se declararam independentes: o Rada Central, o Hetmanato, o Diretório, a República Popular Ucraniana e a República Popular Ucraniana Ocidental. Contudo, a derrota daquela última na Guerra Polaco-Ucraniana e o fracasso polonês na Ofensiva de Kiev (1920) da Guerra Polaco-Soviética fizeram com que a Paz de Riga, celebrada entre a Polônia e os bolcheviques em março de 1921, voltasse a dividir a Ucrânia. A porção ocidental foi incorporada à nova Segunda República Polonesa e a parte maior, no centro e no leste, transformou-se na República Socialista Soviética Ucraniana em março de 1919, posteriormente unida à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, quando esta foi criada, em dezembro de 1922.

O ideal nacional ucraniano sobreviveu durante os primeiros anos sob os soviéticos. A cultura e a língua ucranianas conheceram um florescimento quando da adoção da política soviética de nacionalidades. Seus ganhos foram postos a perder com as mudanças políticas dos anos 1930.

A industrialização soviética teve início da Ucrânia a partir do final dos anos 1920, o que levou a produção industrial do país a quadruplicar nos anos 1930. O processo impôs um custo elevado ao campesinato, demograficamente a espinha dorsal da nação ucraniana. Para atender a necessidade de maiores suprimentos de alimentos e para financiar a industrialização, Stalin estabeleceu um programa de coletivização da agricultura pelo qual o Estado combinava as terras e rebanhos dos camponeses em fazendas coletivas. O processo era garantido pela atuação dos militares e da polícia secreta: os que resistiam eram presos e deportados. Os camponeses viam-se obrigados a lidar com os efeitos devastadores da coletivização sobre a produtividade agrícola e as exigências de quotas de produção ampliadas. Tendo em vista que os integrantes das fazendas coletivas não estavam autorizados a receber grãos até completaram as suas impossíveis quotas de produção, a fome tornou-se generalizada. Este processo histórico, conhecido como Holodomor (ou Genocídio Ucraniano), levou cerca de 10 milhões de pessoas a morrerem de fome.

Na mesma época, os soviéticos acusaram a elite política e cultural ucraniana de “desvios nacionalistas”, quando as políticas de nacionalidades foram revertidas no início dos anos 1930. Duas ondas de expurgos (1929-1934 e 1936-1938) resultaram na eliminação de 4/5 da elite cultural da Ucrânia.

O colapso da União Soviética em 1991 permitiu a convocação de um referendo que resultou na proclamação da independência da Ucrânia. Após isso, o país experimentou uma profunda desaceleração econômica. Durante a recessão, a Ucrânia perdeu 60% do seu PIB entre 1991 e 1999, além de ter sofrido com taxas de inflação de cinco dígitos. Insatisfeitos com as condições econômicas, bem como as taxas de crime e corrupção, os ucranianos protestaram e organizaram greves. A economia ucraniana estabilizou-se no final dos anos 90.

Em 2004, Viktor Yanukovych, então primeiro-ministro, foi declarado vencedor das eleições presidenciais, que tinham sido largamente manipuladas, como o Supremo Tribunal da Ucrânia constatou mais tarde. Os resultados causaram um clamor público em apoio ao candidato da oposição, Viktor Yushchenko, que desafiou o resultado oficial do pleito. Isto resultou na pacífica Revolução Laranja, que trouxe Viktor Yushchenko e Yulia Tymoshenko ao poder, enquanto lançou Viktor Yanukovych à oposição.

Disputas com a Rússia sobre dívidas de gás natural interromperam brevemente todos os fornecimentos de gás à Ucrânia em 2006 e novamente em 2009, levando à escassez do produto em vários outros países europeus. Viktor Yanukovych foi novamente eleito presidente em 2010, com 48% dos votos.

O protestos do Euromaidan começaram em novembro de 2013, quando os cidadãos ucranianos exigiram uma maior integração do país com a União Europeia (UE). As manifestações foram provocadas pela recusa do governo ucraniano em assinar um acordo de associação com a UE, que Yanukovych descreveu como sendo desvantajoso para a Ucrânia. Com o tempo, o movimento Euromaidan promoveu uma onda de grandes manifestações e agitação civil por todo o país, o contexto que evoluiu para incluir clamores pela renúncia do presidente Yanukovich e de seu governo.

A violência intensificou-se depois de 16 de janeiro de 2014, quando o governo aceitou as leis conhecidas como leis antiprotestos. Os manifestantes antigoverno então ocuparam edifícios do centro de Kiev, incluindo o prédio do Ministério da Justiça, e tumultos deixaram 98 mortos e milhares de feridos entre os dias 18 e 20 fevereiro. Em 22 de fevereiro de 2014, o Parlamento da Ucrânia destituiu Yanukovych por considerar o presidente incapaz de cumprir seus deveres e definiu uma eleição para 25 de maio para selecionar o seu substituto.

Porém, a importância da Ucrânia hoje em dia, em termos mundiais, se encontram em seus dutos de gás, responsáveis por abastecer a Europa Oriental e em especial, a Alemanha. Uma grave disputa comercial ocorre entre a Rússia e a Ucrânia em 2009, cujas consequências podem ainda ser identificadas nos recentes acontecimentos.

Sobre a Disputa Comercial de 2009.

Sobre os seus desdobramentos sobre a economia da Europa.

O que há de errado?

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Há algo muito estranho ou errado acontecendo com a humanidade

A democracia, um governo que em tese seria do povo e para o povo, transformou-se em pura demagogia alimentada pela propaganda. O sistema econômico ora vigente já se encontra falido, pois não atende à distribuição de renda e tem tornado os ricos ainda mais ricos. São as políticas governamentais assistencialistas que vem diminuindo as diferenças sociais.

Porém, como o número de trabalhadores efetivamente empregados (que pagam os seus impostos) diminui em todo os países, mais cedo ou mais tarde, não haverá dinheiro para redistribuir.

Manifestações populares ocorrm em vários locais do mundo, sempre com um grau de violência acima de qualquer bom senso. E não são apenas as classes menos favorecidas que se insurgem, pois entre os manifestantes, encontramos representantes de várias categorias sociais com uma característica comum: posicionam-se contra a autoridade e as decisões do governo eleito.

manifestacoes_2Ou seja, observamos um crise de representatividade.

Na Ucrânia, a decisão de não ingressar na Comunidade Europeia é o motivo para as cenas de guerra que vemos nas mídias: é o povo contra a polícia. No Egito, são também as minorias que vem se manifestado contra os resultados das eleições. Na França, os protestos são dirigidos ao presidente recém-eleito.

E no Brasil, especialmente em São Paulo e no Rio de Janeiro, os Black Blocks são uma minoria que se mistura aos manifestantes que, legítima e pacificamente se reúnem para defenderem seus pontos de vista. Presenciei a concentração no vão do MASP, absolutamente tranquila. Acompanhei o restante da manifestação através de três noticiários diferentes na Internet. Foi noticiado que um grupo de baderneiros se juntou à frente dos manifestantes que seguiam pacificamente pela Av. Brigadeiro Luiz Antonio. Foi este grupo que enfrentou os policiais diante do Theatro Municipal e,em seu na sequência, quebrou agências bancárias, concessionárias e algumas entradas de prédios em seu caminho até a Rua Augusta.

manifestacoes_3Quando chegaram  à Praça Roosevelt, onde queimaram um carro, estavam do lado de casa. Ouvimos o barulho das vidraças sendo quebradas a pouco mais de 100 metros de onde moramos. O helicóptero da polícia pairou durante cerca de uma hora sobre um prédio diante do nosso. Pouco antes, policiais de moto apreenderam pessoas que fugiam por uma rua pouco movimentada entre a Augusta e a Nove de Julho. Nesta mesma região, em junho do ano passado, manifestantes e policiais se confrontaram em cenas típicas do Iraque ou Síria.

E hoje, as notícias vem dando maior importância ao episódio onde um grupo de policiais atirou num suposto baderneiro.

Porém, minhas questões vão em outra direção:

  • manifestacoes_4Que ética é esta que minimiza os danos causados às propriedades privadas durante as manifestações? Com exceção da agência da CEF, todas as demais depredações atingiram bens particulares que não tem relação com o governo ou com a própria Copa do Mundo.
  • Os governantes vem sendo eleitos com margens apertadas, o que permite questionar a sua representatividade. Se não detém maioria, a “minoria” corresponde a uma parcela expressiva da sociedade. É o que ocorreu na Alemanha e também já está acontecendo no Brasil. Aí eu pergunto se não existe um outro modelo de governo mais representativo? Está claro que os atualmente existentes, mesmo diante de populações menores, não conseguem mais este feito.

Talvez o “buraco” seja mesmo mais embaixo, e estejamos mesmo precisando de uma ética unificadora, papel exercido anteriormente pela religião, igualmente pulverizada e sem força suficiente para agregar seja o que for.

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2014 – Ano de Júpiter e a Renovação Espiritual

exp_consciênciaJúpiter é o astro que governa os processos de expansão da consciência. Rege dois signos diretamente associados ao tema: em Sagitário, através da religião, da ética, da filosofia e da síntese destes saberes; mas  é em Peixes que ocorre a verdadeira síntese, a fusão do eu pessoal e individual com o todo universal e sem limites. Ou seja, ao buscar ultrapassar as fronteiras, em Sagitário, pode-se chegar a uma situação em que elas simplesmente não existem mais, em Peixes.

asp_jupiterO Ano de Júpiter se inicia de fato quando o Sol, em 2014, ingressar no signo de Áries, em 20/03. Antes disso, Júpiter começará o ano em movimento retrógrado, no signo de Câncer, formando os aspectos apresentados ao lado:

Os aspectos mais importantes são o trígono com Saturno retrógrado, em 24/05; o ingresso em Leão, em 16/07; o cruzamento com a 2ª estação, em 13/09; e o início do movimento retrógrado, em 08/12.

Enquanto permanecer no signo de Câncer, a expectativa é seguir por caminhos já trilhados. Muitas vezes, dá-se continuidade à religião dos pais, até por segurança ou conforto, para não criar conflitos.  A sequência dos aspectos com Marte sugerem o desejo de buscar outros caminhos e, num primeiro momento, os olhares se dirigem para o cônjuge ou a amizade mais importante.

Sob uma ótica mais profunda, há o desejo de reequilibrar ou reajustar o eu interior a um sentido de paz e harmonia encontrado num passado distante, que pode tanto ser na infância como numa vida anterior. As decisões internas provocadoras de ação começam a acontecer em maio, após Marte voltar ao movimento direto e Júpiter formar a terceira conjunção com Saturno. Esta é a época da síntese, dos sonhos místicos e evocadores de transformação dos referenciais internos. Mas o que atrapalha, nesse período, é o desejo de se apossar de qualquer conhecimento adquirido ou ainda, de se manter fiel a dogmas ou preconceitos.

O ingresso de Júpiter em Leão é a grande chave para o crescimento espiritual no correr deste ano. O Sol, regente do ciclo atual (veja mais a respeito em 2014 – O Ano de Júpiter), senhor da autoconsciência, exerce grande influência nas oportunidades que proporciona a partir da segunda metade de julho. Trata-se quase de uma relação algébrica, onde a essência divina ou autoconsciência poderá ser encontrada através da viagem ao mais profundo do ser. Ao invés dos sonhos reveladores, num processo passivo e reflexivo, agora há a ação de dirigir-se à fonte da vida.

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Mas cuidado, Leão é também arrogância, orgulho e vaidade e você pode buscar fora o que deveria ser encontrado dentro. Pode se iludir com gurus que expressam as suas verdades, ao invés de buscar as suas próprias. Ou deixar-se levar por rituais teatralmente elaborados ao invés de celebrar a sua participação na Criação como artista que é.

Especialmente no período compreendido entre 13/09 e 08/12, sinta-se parte do Universo, que a gerado a partir do Fogo. Num primeiro momento, um fogo que purifica, para depois se tornar um fogo que eleva e cria vida.

Manifestações pelo aumento das tarifas de ônibus

Hoje eu e minha família nos sentimos angustiados e aflitos com os eventos que ocorriam lá fora. Era cerca de 17:30 horas quando os manifestantes começaram o confronto com os policiais a poucos metros de nossa residência. Vários helicópteros sobrevoavam o local. Ouvíamos tiros, fogos, explosões e os gritos (palavras de ordem).

A uma dado momento, o barulho se intensificou e chegaram a subir na rua onde moramos. Jogaram o lixo das lixeiras foi parar na rua, talvez para servir de barricada e até ser incendiado, como víamos na TV. A um dado instante, assustada, minha mulher avisa que estavam subindo pela rua de trás, normalmente, um local isolado e tranquilo.

O grande objetivo era a Paulista, poucas quadras daqui. E para atingir este intento, aquela massa humana impedida pela polícia, quebrava o que via pela frente ou usava para atirar nos policiais. As cenas estão disponíveis na internet. Estamos numa região onde existem quase 30 hospitais, próximos à ligação Leste-Oeste, junto ao Centro da cidade. Próximo daqui, desembocam as Avenidas 23 de Maio e Nove de Julho, em direção ao Vale do Anhagabaú e à Avenida Prestes Maia. No horário do pico da confusão, cerca das 18:30 horas, estas vias costumam estar bem congestionadas, ônibus e metrô cheios das pessoas retornando aos seus lares.

Contudo, estes manifestantes, por quase seis horas, tomaram conta desta região central da cidade e impediam que as pessoas que nada tinham a ver com esta estória retornassem as suas famílias. São Paulo tem um pouco mais de 11 milhões de habitantes. Imagine que cerca de 5000 pessoas estivessem nesta manifestação e faça a conta para saber o percentual: menos de 0,05% da população prejudicando o direito de ir e vir de 99,95% que pagaram as tarifas e apenas desejavam retornar para os seus lares.

Quero deixar o meu ponto de vista: não sou contra nenhuma manifestação e eu mesmo já participei de várias. Também já participei de greves. Mas sou contra de qualquer manifestação que restrinja os direitos dos demais. E, quando a baderna se instalou, o que se viu entre os manifestantes foram atos de violência e vandalismo.

Depois que tudo se acalmou, a rotina da família voltou à normalidade, resolvi dar uma olhada no mapa dos Trânsitos e de São Paulo.

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O mapa acima corresponde ao horário programado em que os manifestantes se reuniam na Praça Ramos e considerado o início da manifestação de hoje. Trata-se de uma 4ª feira, dia de Mercúrio, na hora de Júpiter. Mal sinal, porque como um não “fala” com o outro, é um indicador de falta de entendimento. O fato de Sol e Júpiter se encontrarem na Casa VII já dá uma ideia de confronto, de adversários, especialmente considerando que Júpiter governa o Ascendente.

Ou seja, ideais vazios colocam os manifestantes como adversários da cidade. Ainda, Gêmeos é o signo zodiacal das vias públicas. Mercúrio, em Câncer, governado pela Lua em Leão é uma sugestão de que o povo já vinha enfrentando problemas (com algum bom humor e paciência) para se deslocar pela cidade. Mais cedo, houve uma greve dos trens.

Esta Lua, no entanto, separa-se de Marte e aplica-se ao Sol, sugerindo beligerância e conflitos, possivelmente sendo mal recebida pela população em geral. Também indica as várias prisões e incidentes envolvendo pessoas da imprensa (repórteres, fotógrafos, cinegrafistas).

Mas vamos juntar com o mapa da cidade de São Paulo. Uso um mapa ajustado cuja explicação completa pode ser encontrada no Site Constelar. Nele, encontramos Ascendente em Áries que, neste caso, não apenas sugere o pioneirismo e industrialização (locomotiva do país), mas também a sua independência com relação à federação (Revolução Constitucionalista de 1932). O lema da cidade é alusivo: “Conduzo, não sou conduzido”.

Nas Progressões Secundárias (Placidus), o Sol se separa de uma quadratura com Mercúrio e se aplica à Marte, ambos natais. Um bom indicador de assuntos sérios envolvendo as vias de transporte e o destaque que este evento acabou obtendo, inclusive na imprensa internacional.

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Observe que a Lua se encontra em oposição exata ao Marte Natal, clara indicação de confronto e do papel da polícia em conter os manifestantes exaltados. O signo da Lua, nestas condições, acrescenta a possibilidade de chamas abertas, como vimos pela TV.

Apesar de não se encontrar representado, o Ascendente da ocasião é Sagitário. Várias faculdades tiveram de suspender as aulas (e as provas) ao fechar as suas portas para não serem depredadas. Note que o Sol em Gêmeos, na Casa III Natal e VII do Trânsito indica esta oposição entre manifestantes e instituições de ensino superior.

Pergunta-se se era possível prever esta condição para a cidade. De certo modo, sim, uma vez que, seja nas Progressões Secundárias como nos Trânsitos, Marte se encontra forte e governando vários planetas importantes.

E justamente ao avaliar as Progressões Secundárias é que acredito que teremos ainda outras manifestações e greves ao longo do ano, contudo, de trabalhadores e não de vândalos e desocupados que não andam de transporte público.

Olhando nos olhos, tem mais brilho

Na Era da Comunicação em tempo real, faço-lhe a pergunta: a quantas anda a sua comunicação real?

Nas ruas, parece que todos se falam através do celular. Você entra numa loja qualquer, num restaurante ou numa fila e, o que mais se vê são pessoas se falando, ligando para um conhecido ou conhecida. Sem falar no SMS… Ah, enviar uma mensagem breve para alguém é se manter em contato, bastam poucas palavras.

Nas redes sociais não faltam mensagens de auto-ajuda e incetivo a um mundo melhor. Mas o que você vê, no mundo real do face a face é bem diferente da realidade da comunicação em massa que uma rede social lhe permite.

Qual é a sua atitude quando você se encontra diante de uma pessoa com a qual costuma conversar habitualmente pelo celular ou internet? Especialmente se não existe um motivo especial para estar com ela? E ainda, quanto tempo dura a conversa entre vocês? O tempo de uma ligação?

Conversar pessoalmente evita aquele pedido de desculpas pelo e-mail tão longo…

A Era da Comunicação é também a Era do Foco e da Objetividade, não há tempo para perder. Por isso, não há mais aquela longa conversa entre amigos(as) sob uma árvore. As crianças se juntam para estudar (foco na prova) e, muitas vezes, quando brincam, ficam horas diante de uma TV jogando videogames, concentrados… não é preciso conversar…

Muito cedo, os jovens já se focam na preparação para o vestibular. No meu tempo, nós nos preocupávamos apenas no final do 2º grau. Hoje, a segunda metade do ensino fundamental já tem este objetivo. “Mamãe, estou indo para a casa do fulano!”, diz a criança ao celular.

E quanto aos relacionamentos? Sonhar dispensa palavras… mas é preciso combinar as vontades e os desejos, fazer planos, acertar como cada um contribuirá para atingi-los. Ou apenas expressar uma alegria. Ao vivo, olhando nos olhos, sempre tem mais brilho.

Por onde vai a cidadania?

Hoje pela tarde eu me deparei com uma declaração inusitada, ao menos para este início de século XXI, no Brasil, onde a espiritualidade do cidadão é muitas vezes ambígua. Um dos candidatos à prefeitura de São Paulo declarou que seria bom ter uma Igreja em cada quarteirão da cidade (http://tinyurl.com/brv7erk). Sabe-se que ele é evangélico e membro da IURD. A campanha de Russomano está baseada na recuperação da cidadania. Conseguiria atingir seu objetivo através desta ação?

Duas outras notícias me chamaram a atenção ao longo dia. A FGV divulgou que a elevação da escolaridade reduz o trabalho informal (http://tinyurl.com/8omdxbr). A meu ver, escolaridade e trabalho são as melhores maneiras de recuperar a cidadania e a dignidade de seja lá quem for, uma vez que torna o indivíduo e sua família participantes e integrantes da sociedade na qual vivem.

Não se trata de criticar o papel das Igrejas, uma vez que muitas delas investem forte na educação, desde a pré-escola até a universidade. Entretanto, como o candidato colocou, parece que ficar orando é o suficiente para tirar as pessoas da marginalidade social e integrá-la no mercado de trabalho.

Na Alemanha, seu ministro da economia defendeu hoje de que os alemães deveriam se aposentar aos 80 anos (http://tinyurl.com/987and3). Não dá para comparar a qualidade de vida que a maior parte dos idosos tem por lá com aquela que é permitida aos idosos brasileiros.

Acredito que uma pessoa que se escolarizou terá melhores condições de vida à medida que sua idade avançar do que uma que deixou a sua vida nas mãos de uma Igreja.

Nova Era e Transformação

Por onde começa a transformação pessoal? Pelo objetivo. A grandiosidade do objetivo determina a força que será adicionada à intenção de buscar ser o melhor de si mesmo, acima de todas e quaisquer limitações.

A fé é um importante fator impulsionador, pela catarse que provoca nas pessoas, especialmente quando em multidões. Mas não é o único vetor que pode levar à transformação individual: um casamento ou a chegada dos filhos são razões fortes que mudam o comportamento da maior parte das pessoas. Para alguns, atingir o primeiro milhão de dólares é um motivo de transformação tão bom quanto outro qualquer.

No entanto, quando nos referimos a essa tal transformação, o que normalmente nos vem à mente é a transformação espiritual, embora a grande parte dos indivíduos não saiba bem do que se trata. Ouço esta estória ou versões dela há mais de 30 anos, numa espécie de magia da Nova Era (que deve chegar de fato em cerca de 150 anos, segundo dados astronômicos do Observatório de Paris). E nada mudou além da diversidade de nomes que são dados às mesmas técnicas que existem a milênios.

Lee Lehman diz que o que caracteriza uma Nova Era é um revivalismo de crenças que existiam em tempos anteriores, uma espécie de romantismo. Relaciona várias épocas em séculos anteriores em que houve uma “Nova Era”. Se este conceito for levado mais à fundo, percebe-se que a existência de uma “Nova Era” assinala uma insatisfação com o momento atual da existência do ser humano ou até, uma espécie de vazio interior. Bem, até onde sabemos, este “vazio” é inerente da própria natureza humana, qualquer que seja a civilização que pertença e, graças a ela é que surgem os focos de progresso, notadamente no campo do pensamento (Filosofia e Metafísica).

Assim, a Gnose (destituída aqui de qualquer sentido religioso) é ainda o melhor caminho para esta transformação pessoal e Jung construiu um arcabouço respeitável para que cada um pudesse chegar ao seu destino. Suas palavras são difíceis, seu pensamento é complexo, diferentemente das falas e parábolas dos líderes religiosos dos diversos tempos. Porém, voltaram-se para públicos diversos. A religião parece ter mais eco entre as classes economicamente menos favorecidas, em que o inconformismo e o vazio (até a fome) são motivos mais que suficientes para cuidar da transformação pessoal para uma próxima vida, uma vez que esta parece estar condenada.

Entre as classes mais favorecidas, nota-se que é o intelecto que precisa estar primeiramente satisfeito antes de iniciar a transformação de fato. Certos “porques” tem de ser tornados óbvios, lógicos e lúcidos, não basta uma fala bonita.

Será mesmo? Até esta premissa é questionável à luz das redes sociais. Apesar do enorme número de indivíduos que fazem parte destas redes sociais, aglutinando-se em grupos de amigos ou ideias, permanece a sensação de vazio através das frases de auto-ajuda ou pensamentos bonitos, sem a efetiva contraparte em ação transformadora.

Por outro lado, há muitos obreiros (a maior parte deles, pessoas comuns e anônimas), que realizam o seu trabalho em relativo silêncio. Em seus processos de transformação, percebem o quanto estão inseridas nos grupos sociais dos quais fazem parte, como a família e círculo de amizades. Na medida em que se empenham por si, estendem a sua ação transformadora às pessoas que os cercam, como missionários. Suas atitudes são mais importantes que suas palavras e por isso mesmo, acabam causando o impacto desejado junto àqueles com os quais convivem.

É o efeito da vela no quarto escuro: sozinha, tem o poder de iluminar muito em razão da escuridão ao seu redor. Mas, se esta escuridão à sua volta é ainda muito forte e você ainda não conseguiu luz suficiente, não desista… Há vários de nós em busca de uma melhor conexão com que permita a sustentação e o combustível para que estar transformação espiritual ocorra de fato.  Portanto, mantenha a fé em seu objetivo, pois ele vale a pena.

Simplicidades e complexidades

Que tempos paradoxais…

Por um lado, a busca frenética de informação, de saber como funciona ou como fazer funcionar. Por outro, o conhecimento em geral é tratado com uma superficialidade ímpar. Temas de pesquisa são tratados num nível de detalhamento nunca vistos. Porém, há uma parcela expressiva de pessoas que apenas quer respostas rápidas, sem qualquer profundidade e, muitas vezes, até destituídas de sentido.

Coexistem indivíduos com uma capacidade aguçada para pensar, que sabem fazer as perguntas certas e por isso, vão em busca das respostas que as correspondem. Outras, limitam-se a curtir o verniz de palavras bem escritas ou combinadas, sem refletir em seu significado.

Este processo não é novo, iniciou-se nos anos oitenta, a partir da tendência de simplificar saberes para que se tornassem acessíveis e populares. Os resultados estão sendo colhidos após trinta anos.

Há mais paradoxos: desde que o Homem se tornou o centro do Universo, nunca a aparência foi cultuada e valorizada. A psicologia, a psiquiatria e as neurociências tem praticamente respostas e tratamento para todas as questões. A estética e o consumo, entretanto, são prioritários em relação ao bem estar, do diálogo sadio consigo mesmo. O consumo é muitas vezes uma fuga para traumas que surgiram em algum momento da vida.

O Iluminismo, ao colocar o Homem no centro de se destino, afastou Deus de si, relegando-o a um papel desnecessário na Natureza. Com isso, o indivíduo distanciou-se de si mesmo, por não contar com nenhuma referência exterior. Ao invés de buscar dentro de si, preencheu o vazio com status e bens que permitissem uma aparência de bem estar.

E foi entre as classes sociais menos favorecidas que os movimentos carismáticos tiveram uma grande expansão. Colocados à margem do consumo, buscam em Deus a solução de seus problemas e a resposta para questões que a elite não consegue atender.

A Cabala, uma corrente mística que despontou entre os judeus, por suas complexidades, virou tema para poucos. O mesmo ocorre com a Astrologia e outras Artes antigas. Embora religião, Cabala e Astrologia sejam temas bem distintos, tem em comum a busca de si mesmo através da integração com um todo maior. Mas parece que isso ficou absolutamente fora de moda. É preferível correr atrás do primeiro milhão de reais do que evoluir espiritualmente nesta vida pensando nas vidas vindouras.

Felizmente, as maiores verdades são simples e muitas vezes óbvias. Na Cabala, basta olharmos para o próprio corpo para compreendermos o seu funcionamento; na Astrologia, é só contemplar o movimento dos astros num céu pontilhado de estrelas. A religião, antes de se tratar de um sistema de ética social é antes de tudo, um método simples, valioso e eficaz de olharmos para o nosso próprio futuro a partir de nosso presente. E deixar que o Espírito faça o resto…

É verdadeiramente mais simples. Experimente olhar mais para o céu.

Páscoas

Diversas tradições e costumes se fundiram até chegarmos à celebração da Páscoa que hoje conhecemos.

Entre os judeus, encontramos diferentes maneiras de celebrar a Páscoa, antes e após o Êxodo. Porém, o costume que prevaleceu foi aquele que recorda a libertação do Egito.

Na Páscoa, o Sol costuma se encontrar próximo de sua Exaltação (19º de Áries), correspondendo ao início do calor, como era percebido pelos povos do Hemisfério Norte. Encontramos costumes associados às suas deusas da fertilidade (Easter/Ostern/Ishtar). E destas tradições que vem a tradição de pintar os ovos.

A Páscoa dos judeus antes do Êxodo tinha conotações semelhantes àquelas dos povos da Europa e Oriente Médio. Tratavam-se duas festas, uma de cunho agrícola e outra pastoril (Festa do Pão Ázimo e Festa do Cordeiro Pascal, respectivamente). Posteriormente, essas celebrações foram reunidas numa única e adaptadas ao novo simbolismo que passaram a representar após a saída do Egito.

Assim, podemos destacar alguns elementos importantes para esta época atual:

As Festas do Pão Ázimo e do Cordeiro Pascal e o Pessach tem uma relação direta com o Egito e a escravidão. Graças a Iahveh, o povo judeu foi liberto do opressor e pode seguir o seu destino. Assim, refere-se à libertação da escravidão e travessia em direção à Terra Prometida.

Os povos nórdicos celebravam Easter/Ostern/Ostara, associado à Deméter e ao início da Primavera. Comemoravam o renascimento, a vida que se renova a cada ano. Por isso a tradição de pintar ovos, até chegarmos ao moderno ovo de Páscoa, feito de chocolate.

A Páscoa cristã ganhou novo significado com a ressurreição de Jesus, quando mergulhou no reino dos mortos, libertou diversas almas e retornou em corpo glorioso.

De certa forma, sob uma ótica judaico/cristã, a associação coma  libertação é clara e definida. Entretanto, não se pode deixar de lado seu significado com os ciclos naturais da Terra e o retorno do calor e a Primavera (no Hemisfério Norte).

A maior proposta da Páscoa é a vitória sobre o frio e a morte, sobre a pobreza e a falta de alimentos depois de um longo período de inverno. A ressurreição de Jesus trouxe ainda um elemento novo: seu sangue derramado na cruz. É através dele que nos tornamos fortes para enfrentar os desafios da vida, enquanto que nos tornamos “um com Ele”. Seu sangue nos purifica dos pecados, nos livra da velha natureza e nos assegura a vitória sobre Satanás.

Quando estiver entre seus familiares ou saboreando um ovo de Páscoa, tente se lembrar dos significados mais profundos desta data.  E se puder, teça alguns comentários com os seus. Do contrário, esta data acabará sendo lembrada apenas pelos ovos.

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